tão perto


sinto na aurora
o nascer de um novo dia
de renovada esperança
de fé
de uma vontade imensa
de abraçar o mundo
com uns braços que sei ser meus

estico-os para alcançar
este sonho que já não foge
mas que caminha a passo apressado
e que chama por mim
pois reconhece-me como sendo a sua alma

Imagem daqui >




dia de sol
frescura matinal
sorrisos desconhecidos que se cruzam num mesmo exercício solitário
energias renovadas

vontade de nascer
de crescer

as asas começam a surgir
e os vôos esperam-se altos

há dias assim
e eu, gosto de os viver.

Imagem daqui >

Da palavras

Apetece-me gastar a tinta.
Apetece-me esgotar todas as linhas.
Apetece-me escrever - escrever - furiosamente!

As palavras são infinitas
e dançam na ponta dos meus dedos
uma música sem fim.
Sinto-as flutuar num mar a perder de vista de emoções.
Não as quero perder.
Preciso de todas neste momento
de - quase - insanidade.
São minhas. Todas.
Só minhas. Mesmo.

Páro. Respiro,

e deixo-as deslizar como uma sinfonia
em que eu sou o maestro
que as conduz.

Acordar

Desperto feliz num sonho tornado realidade.
Hoje haverá outro sonho.
Amanhã outro despertar.

Regresso

Escrevo sem pena
numa tinta que não se apaga.
Dito a memória dos dias
que estão próximos.
Reinvento a saudade,
o querer ficar,
o querer viver,
o ser feliz.
Sonho sem medo
desta escrita que deixa marcas
à qual volto
e torno a voltar
com a esperança de um dia
ficar.

Rumo a ti

Saio à rua de sorriso colado no rosto.
Tola? Não.
Feliz!

Caminho de queixo erguido.
Altiva? Não.
Confiante!

Fixo o olhar no infinito.
Perdida? Não.
Sonhadora.

Ou não fosse a vida comandada pelo sonho -
tal como dizia o Poeta.

Ficar

Quero ficar nos teus braços,
Permanecer no teu sorriso

e viajar para longe nos nossos sonhos.

Mudança

Apetece-me partir
Mas quero ficar
aqui
neste lugar que me sabe a mar
e que cheira a casa
neste lugar onde o abraço está perto
e não é preciso cruzar o oceano.
A partida está para breve.
Quiçá o regresso também.

Asas

Ganhei asas e tomei balanço
Abri-as num de repente e soltei-as do corpo que as prendiam.
Agora
estou a aprender a voar
lentamente
sem pressa
a saborear cada movimento.

A sensação de liberdade é única,
leve,
inigualável.

Próximo passo:
voar mais alto!

O futuro, afinal, existe

Afinal o futuro existe.
Tem a cor da incerteza,
e o sabor da felicidade.

A felicidade que faz nascer sorrisos
nos rostos mais fechados
nos dias mais cinzentos
e corações nas pedras da calçada
onde os meus olhos param para sonhar.

Liberdade

Abro os braços
e sinto a leveza das minhas asas
que me levam onde quer que o pensamento esteja

longe
alto
distante

num momento a que chamo de
sempre
onde sou quem eu
quiser.

Leve. Sonhadora. Feliz.

Apetecia-me calçar os sapatos de bailarina que não tenho
e sair daqui nas pontinhas dos pés.
Leve. Sonhadora. Feliz.

Apetecia-me abrir as asas com as quais não fui dotada
e voar daqui num sopro de primavera.
Leve. Sonhadora. Feliz.

Gosto...

Imagem >
... de despedidas que duram uma eternidade.
... de rostos que teimam em não se descolar.
... de sorrisos que se afastam com a promessa de regresso.

pouco a pouco


aos poucos renasço
devagar
pois a vertigem é grande
renasço do passado
a planear o futuro
renasço da saudade
da saudade de sempre:
- que não morre
- que não se deixa matar
- que (ainda, não existe)


Vim matar saudades...

... das palavras que aqui deixei e que, propositadamente, escondi do mundo: fazem-me sorrir e em muitas revejo o que me fizeram escrevê-las.
... das pessoas por trás dos links na coluna ao lado - não as visito tão regularmente, nem deixo comentários, mas vou vê-las em silêncio.

Vim matar saudades dos sonhos que não morreram,
apenas adormeceram nuns braços que estão dormentes.
Vim matar saudades de uma voz,
que calo, que escondo, que omito.
Vim matar saudades dum futuro que ainda não alcancei,
mas por muito que demore a chegar,
eu sei que espreita à minha espera.

Intervalo

Não, não voltei. Vim apenas matar saudades...
com este post faço um intervalo na pausa que já vai longa.
Quebro a monotonia da ausência,
abro as janelas de par em par
e deixo uma fresta da porta aberta, por onde entra uma brisa leve
com cheiro a frésias de manhã
e laranjeiras em flor ao anoitecer.


Vim apenas matar saudades...

...e o último!

Imagem >
Há muito que esta morte era anunciada, mas prefiro dar-lhe o nome de sono profundo, pois deste é possível acordar - se não aqui, noutro qualquer lugar. Da morte não se regressa, mesmo para quem em Deus acredita.
Num acto de puro egoísmo guardei para mim cinco anos de Cerejas Maduras. Não os quero partilhar com ninguém e peço que respeitem a minha decisão. Comecei por escrever para mim, como quem escreve, clandestinamente, numa parede de uma rua pouco frequentada. Às tantas dei comigo a escrever em todas as paredes da rua, e atraídos nem sei pelo quê, os transeuntes começaram a surgir e a rua ficou povoada.

Obrigada a todos os que partilharam comigo este espaço durante os últimos cinco anos!

Não tomem esta despedida como um ADEUS, por favor, vejam-na como um ATÉ JÁ. A cerejeira vai continuar aqui e a Cerejinha não vai para longe.