Sorrisos



O melhor presente que me podem oferecer é um sorriso. Não daqueles instantâneos, que surgem num ápice e desaparecem num segundo. Gosto de sorrisos abertos, dos que se vão desenhando no rosto e emoldurando-o com franqueza.
Sorrisos com cor de felicidade e cheiro a alegria
Sorrisos que apagam mágoas e confortam tristezas.
Sorrisos que partilham outros sorrisos.
Sorrisos que ficam gravados nas emoções.
Sorrisos que abraçam a alma e envolvem o coração.
Sorrisos que dizem mais que muitas palavras.
Sorrisos que ofuscam as estrelas.
Sorrisos de Amizade.

Fazes-me falta


Ausências sentidas. Presenças sorvidas até à última gota.
Saudades que não morrem nem se deixam matar.

Outros silêncios


Momentos repletos de tudo e de nada vazios. Ouve-se a respiração, sente-se o sorriso e lembra-se o rosto. Silêncios que não necessitam ser preenchidos com palavras, porque lhes basta saber que estão lá.

Entre dois beijos


É aquele momento, que não dura mais do que uns segundos, em que dois rostos se colam não se querendo apartar.

Mudanças


Chegou e sentou-se. Não sabia muito bem o porquê de estar ali. Se calhar sabia, apenas não o queria admitir. Pediu o menu, simplesmente para ter algo com que entreter as mãos, pois o pensamento não estava interessado na inúmera lista de deliciosas iguarias. Folheou-o com toda a calma do mundo, sem o ler. Sabia exactamente o que iria pedir quando o empregado voltasse. O do costume. Era uma pessoa de hábitos regulares e tudo o que fugisse à norma, qualquer regra quebrada era sinónimo de desconforto.
E era precisamente esse desconforto que lhe ocupava o pensamento. Não sabia se tinha agido mal ou bem. Não conseguia medir o tamanho das consequências da sua atitude. As ideias chegavam-lhe como cartas de um baralho totalmente desordenado, atiradas para cima de uma mesa, no entanto não se sentia com capacidade de as ordenar.
Começou a habituar-se ao caos. Estava a saber-lhe bem. Olhou novamente o menu e pediu algo novo. Diferente. Como dali em diante.

Futuro


Revisito muitas vezes um passado repleto de sorrisos. Saudosismo quiçá, ou apenas a projecção do futuro.

Tentação? Provação?


Qual prazer de saborear um fruto bem maduro.
Qual tentação irresistível de o provar.

Em círculos


Por mais voltas que desse, o final do caminho era sempre o mesmo.
Andava em círculos e não se conseguia desligar de tudo em redor.
Desorientação? Não! Afinal o mapa estava bem definido.
Comodismo, talvez. Provavelmente. Certamente.

Contrariedades recorrentes






Da vontade de falar
fica apenas um conjunto de
palavras por dizer.
Do receio do ser
permanece uma imagem de
parecer.
Do desejo incumprido
resta o sonho sem fundamento.