Intimidades


Há textos que só eu sei.
Nem de cor nem tampouco de salteado.
Habitam numa qualquer gaveta da memória que revisito sem aviso
com sobressalto e de rompante.
De lá saem frases soltas, desprendidas de sentido e repletas de significado.
De lá fogem versos, cantados ou não noutra idade que não a minha.
São meus, só meus. Partilho-os num acto simbólico de desprendimento
qual rio fluindo alagando as margens que se deixam inundar.
Guardo-os novamente, e ali ficam
até que outro acto de loucura os solte, diferentes de si mesmos,
e os deixe vaguear por outros leitos.