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"Então e tu? Já devias estar a pensar nisso, não?"

Se há frases que funcionam como "desbloqueador de conversa", esta é daquelas cujo perguntador não gosta de ouvir a resposta que tenho para dar: curta, grossa e seca. Pode não ser 100% verdadeira, mas é a que coloca um ponto final a uma série de subsequentes questões às quais eu não quero responder. Já dizia a minha avó que "a quem tudo quer saber, nada se lhe diz".
Há pessoas que, penso eu, devem nascer com um chip incorporado que, ao longo da vida as conduz a determinados objectivos, os quais vêm com prazo de validade:
aos 6 anos entram para a escola;
entre os 16 e os 18 terminam o 12ºano;
aos 18 tiram carta de condução;
entre os 19 e os 20 começam a trabalhar;
casam aos 23 o primeiro filho nasce aos 25 - depois disso é tarde demais!
Se alguma destas datas/metas não é atingida, lá se vai o futuro, cai o castelo de cartas. Porquê? Porque o tal chip não permite reprogramação, daí novos objectivos não possam ser introduzidos.
Os seus portadores também não compreendem o facto de haver pessoas (muitas, até!) que tenham nascido com um "micro-chip" ou um "nano-chip": com outras potencialidades, outro tamanho, reprogramável e ajustável ao que o rodeia. Aí se justifica o rol de perguntas padronizadas.

4 cerejas:

Patti disse...

Cerejinha, mais do mesmo: mentalidades tacanhas.

Se há coisa, que a incerteza dos tempos que vivemos, nos dá certeza, é que nada é branco no preto como antes.
Prazos de vida, projectos muito definidos, programas em linha recta e sem desvios, nada disso é hoje programado como há 15 ou 20 anos atrás.

Mas a mentalidade portuguesa é assim mesmo. Adora clichés, frases feitas, opina muita e pensa pouco ou nada.

Oh gentinha limitada. E se olharmos para a vida delas e dos seus, ficamos sempre a pensar: mas esta não tem espelhos em casa?

van disse...

Também há a outra versão:
aos 18 tirar a carta, entrar na universidade, arranjar namorado. Depois, acabar o curso no tempo do curso (fundamental), arranjar logo emprego, casar e comprar casa. Um ano depois ter o primeiro filho. E depois continuar a vidinha de 2 e múltiplos de 2: ir a eventos só com casais, convidar apenas casais, conviver apenas com casais, porque quando se casa tem-se mais preocupações, mais responsabilidades, e os casais têm preocupações semelhantes. (isto é uma citação, uma vez deram-me esta resposta)

Conclusão: os casais não sabem fazer contas, e saberem a tabuada do 2 já é muito. Alguém já reparou que viver sozinho implica que se pague as contas TODAS sozinho? Casa, carro, luz, gás, água, tv cabo, internet, supermercado, ...

Cerejinha disse...

patti: são os emplastros da sociedade que depois vivem á sombra do "estamos em crise" e por isso é que não passamos todos da cepa torta :-S

van: oh mana, eu já não quis pegar por aí...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Cerejinha: infelizmente a maioria das pessoas não sabe viver sem chip. Problema deles, que não sabem desfrutar a vida. Um dia vão arrepender-se, mas normalmente ou já é tarde, ou quando se libertam do chip fazem asneira da grossa.