Da palavras

Apetece-me gastar a tinta.
Apetece-me esgotar todas as linhas.
Apetece-me escrever - escrever - furiosamente!

As palavras são infinitas
e dançam na ponta dos meus dedos
uma música sem fim.
Sinto-as flutuar num mar a perder de vista de emoções.
Não as quero perder.
Preciso de todas neste momento
de - quase - insanidade.
São minhas. Todas.
Só minhas. Mesmo.

Páro. Respiro,

e deixo-as deslizar como uma sinfonia
em que eu sou o maestro
que as conduz.

Acordar

Desperto feliz num sonho tornado realidade.
Hoje haverá outro sonho.
Amanhã outro despertar.

Regresso

Escrevo sem pena
numa tinta que não se apaga.
Dito a memória dos dias
que estão próximos.
Reinvento a saudade,
o querer ficar,
o querer viver,
o ser feliz.
Sonho sem medo
desta escrita que deixa marcas
à qual volto
e torno a voltar
com a esperança de um dia
ficar.

Rumo a ti

Saio à rua de sorriso colado no rosto.
Tola? Não.
Feliz!

Caminho de queixo erguido.
Altiva? Não.
Confiante!

Fixo o olhar no infinito.
Perdida? Não.
Sonhadora.

Ou não fosse a vida comandada pelo sonho -
tal como dizia o Poeta.